domingo, 29 de novembro de 2015

Discurso é bom
e eu gosto.
Você não.
Só fala da boca pra fora.
Eu não.
Eu gosto da fala é na lata
e da ação.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Você não está
em nenhum lugar,
além do nome tatuado,
da caixa de pequenas memórias,
da cicatriz que eterniza a dor,
do meu  profundo amor.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Recorro ao acaso, por medo dos temporais.
Não me sustento mais sobre meus pés.
Não sei mais andar na chuva
sem molhar o avesso de minhas roupas.
Escuto: estou com fome.
Entrego o pão ao menino e sei que não fui eu.
Não sinto fome nem dor.
Aguardo tua vinda,
pois neste mundo não caibo mais como quem fui
nem como quem sou.
Preciso de tua terra prometida.
Vou comer então seus frutos,
criar forças para plantar e colher.
Por enquanto, não colho.
Tenho medo de plantar
para ver tudo levado mais uma vez pelo temporal.
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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