terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pedro nao sabe se vai.
Ou se fica.
Eu fico.
Quando Pedro se fecha, eu abro. Portas e pernas.
Eu guio.
Eu mostro o alvo.
Tenho bodoques que empresto. Que prestam o servico:
a pedra certeira no alvo inimigo.

Empresto meu bodoque para o inimigo?
Levo pedradas de pedras que pego?

Pedro nao sabe se é.
Alvo ou inimigo.
Pedro acerta porque é pedra.
Porque nao sabe que é pedra.
Desvio.

Um comentário:

  1. estou reembarcado nesse no estudo desse poema. veja o que acha da única tradução que conheço em face do original. acho que talvez te interesse, embora com certeza já conheça, pois dizem que é um dos maiores nomes da poesia alemã moderna (paul célan).

    tradução: http://almanaque.folha.uol.com.br/carone2.htm

    original: http://www.celan-projekt.de/todesfuge-deutsch.html

    abraços

    ResponderExcluir

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

Bausteine

Kreis