sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Esse monte de caco de vidro estilhaçado,
voando da explosão interna do que sou,
vai te ferir
e a culpa não é minha.
Atiro pedra, levo soco, caio muda
e o coração telhado de vidro
quebra a cada nova tentativa de ser forte.
Blinda a superfície,
ouve as batidas lá fora,
quer deixar entrar sem ter que quebrar.
Mas é vidro, é frágil, é transitório.
Sabe que mais uma vez não resistirá,
que vai quebrar em mil pedaços,
fazer doer em quem tocar,
ser sangue pra quem tentar segurar.
E depois de destruir tudo e todos à sua volta,
vai despedaçar.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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