quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Desenredo do grande amor


Se me ouvir mais uma vez
falar no grande amor,
por favor,
pega a pedra do meu peito
e joga na minha cara,
para que eu nunca me esqueça
que amor rima com dor.
Não deixa eu me enfeitar,
nem sorrir e dançar
nas ruas e praças do Paraíso,
como se houvesse cura,
como se eu pudesse sonhar,
como se solidão não fosse minha sina.
Não me deixa acreditar,
outra vez,
na grande mentira.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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