segunda-feira, 29 de abril de 2013

Pega teu estilingue
e atire a segunda pedra,
bem no meio da minha cara.
Cuspa ou dê um tapa.
Para mim, tanto faz.
Nada me derruba
e sigo em frente, sempre.
Não preciso de análise
ou tarja preta.
Preciso de amor,
que é o que dou.
Reciprocidade.
Mas se você não tem pra dar,
não faltará quem
entenda
que cuidar de quem amamos
não é paranoia.
É apenas carinho,
um jeito de ser humano.

Um comentário:

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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