sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Se fôssemos tão limpos, nem estaríamos aqui."
Barbara Lovelock


Morro de medo. Sei que também sou, e muito, disso tudo. Dessa falsa nova vida para apagar a borra do teu café. Passo entao o dia tirando o pó de cada objeto, usando para os cantos difíceis de sair os pincéis que eram para pintar essa fase cor de rosa. Limpo cada livro, copo, xícara. Lavo e coloco no container de usadas todas as roupas que datem mais de uma semana. Tomo tres banhos.
Mas esse cheiro de quarto de bebado nao sai de mim. Essa dor de quem tem culpa e nem lembra de que. Essa ressaca pós desintoxicacao.
Eu preciso disso, de um recomeco limpo em alguma ilha. Para nao petrificar.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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