quarta-feira, 20 de maio de 2009

Bilhete de despedida de quem queria chegar

Barbara me explicou por que a cidade me faz mal. Depois, soltou minha mao. Já posso partir. Vou buscar em outros mundos o que achei que estava entre as galinhas do meu quintal.
Vou subir até o cume daquela montanha, sei que de lá verei longe. Vou mergulhar naquele mar, para tentar ver o profundo. Conquistar um Fiorde e me sentir dentro do mundo.
Meu amor foi antes, abrindo caminhos, deixando trilhas. Voltou para me contar que nao há perigos, que o caminho de quem segue vento é seguro, que posso ir. Seguindo os sinais marcados por ele para me guiar, assim eu vou. No meu amor eu posso confiar.
Fiz minha mala com roupas que nao cheiram à guardado e o resto entreguei a quem sabe lavar. Vou assim, livre e leve, como ele sugeriu.


Te encontro naquela ilha, voce sabe qual. Tao logo eu puder fazer palavra com o som do meu coracao.

Um comentário:

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

Bausteine

Kreis