segunda-feira, 18 de maio de 2009

Comigo acontecem coisas que nao acontecem com os outros. Quem me conhece de perto sabe disso. Como diria minha melhor amiga: olha, se outra pessoa me contasse isso, eu nao acreditava, nao.
Pois é, entao tem mais esta: ontem eu encontrei uma crianca de tres anos na rua, perdida. Joguei meu compromisso pro lado e fui cuidar desse assunto urgente. Observei o menino atravessar uma rua sem olhar para o lados, corri e tomei sua mao. Tentei conversar com ele, sem sucesso. E creia, eu sei ser carinhosa, tenho uma certa pedagogia. Mas ele nao a notou. Ficou ali, assustadinho, me olhando. Um menino bem pequeno, com os sapatos trocados, uma perna da calca dobrada até o joelho, camisa toda mal abotoada, roupa boa, menino bonito e saudável, mas todo sujo. Achei que era estrangeiro e resolvi chamar a polícia. O que eu faria com uma crianca em casa? Brincar de vaca amarela?
Esperei ali, desconsolada, limpando o rosto do menino que chorava enquanto me estranhava.
Vieram os policiais, uma mulher e um homem, loiros e lindos. Com eles, o menino falou. Nao era estrangeiro. Depois de um depoimento e um pedido para que me deixassem por dentro dos fatos, fui para o parquinho do bairro. E chorei muito.
À noite, ligaram da polícia avisando que acharam a mae, desesperada e confusa. O menino, que mora a dois quilometros de onde eu o encontrei, fugiu de casa em uma manha de domingo.
O que eu sempre quis fazer.

Obs.: As pessoas que conheco tem lá suas histórias bonitas e normais. Sério, é só isso que eu queria.

Um comentário:

  1. sim, maria, e como serve!
    escrever é nossa salvação, só isso que posso reafirmar sempre. obrigado por ouvir, ouvir é sempre um outro jeito de escrever, escrever na mente... abraços, eliseu.

    ResponderExcluir

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

Bausteine

Kreis