sexta-feira, 8 de maio de 2009

O que o pai calou aparece na boca do filho, e muitas vezes descobri que o filho era o segredo revelado do pai. (Nietzsche)

Se voce descobriu teu irmao no balcao do bar, aprende a ficar quieto. Nao conta mais nada.
No balcao estavam meus padres a quem confessava meus pecados. Minha casa era sagrada, o lugar onde praticava a santidade.
Vem a vida e profana quem eu sou. Oferece-me de padre o meu irmao. Irmao de sangue, onde eu devia curar minhas feridas.
E faz o mesmo com ele.
A vida nao nos dá a saída, nos encurrala. Para nós dois nao há a piedade, que fomos lá buscar. Há o mea culpa que ficará no bar.
Se houve incesto, foi só o do olhar. Nao houve tragédia, o final foi feliz para os espectadores.
Mas há pecados que o padre nao poder revelar. E um irmao para quem nao sou mais santo.

Um comentário:

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

Bausteine

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