quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Acordei para escrever um texto longo.
Para afrontar toda nossa má vontade para com o pensamento do outro.
Para com o outro.
Um texto cheio de raiva e amor. Já que andam juntos esses dois.
Para contar o quanto venho me contendo.
Me apertando em textos curtos.
Para te agradar e me agradar.
Eu também prefiro textos curtos. Dos outros.
Os meus são sempre longos. Longos desabafos.
Que engulo e transformo em gastrite.
Para não te incomodar.
Para eu não me incomodar.
Só que hoje ele não quer descer. Está na garganta.
Amanheceu refluxo e foi voltando.
E é uma massa não digerível:
é desconsolo, é paixão, é doença, é decepção,
muita saudade, é devoção,
raiva, ódio, inveja,
é perdão.
É um texto muito forte, filho de exploxão.
Apresenta sem cronologia a história de um grande amor.
Manchada pelo sangue de um corte infeccionado.
Entorpecido pelo vício descontrolado.
Perdido na memória de viagens desordenadas.
Redesenhado em outros amores mal-amados.
E remido enfim pelo perdão bem empregado.
Um texto que acordou para ser pedrada.
Mas errou a trama do bordado.

2 comentários:

Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

Bausteine

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