terça-feira, 22 de novembro de 2011

LONDRES, BIG GIRL

                                   
  Eu não conheço Londres. Ou conheço e não reconheço.
  Vou à Londres encontrar Barbara, que conhece Londres bem. Barbara é meio Londres e é uma menina grande. Há meninas bobas em Londres. Há meninas bobas em todo lugar. Mas há meninas como Barbara. Que não são nem um pouco bobas. Mas são muito meninas. Fico rezando para que não cresçam, quando as encontro. Para que não acordem, um belo dia, em uma repartição da Secretaria de Planejamento Interno.
   Barbara vai ao Museu de História Natural toda semana. As meninas da repartição não lembram bem o que é museu. Nunca ouviram falar em nada natural. Que bom que vou à Londres encontrar Barbara! Vou com ela a um Pub. Vou tomar vinho e água mineral com gás. Barbara vai tomar cerveja, claro. Antes de eu passar no tal concurso da Repartição, eu tomava cerveja. Muita, todas. Algumas pessoas acham que mães de família não devem tomar cerveja. São as mesmas que acham que mães de família devem aguentar os pais de família como são. São as mesmas que acham sexo anal um perigo psiquiátrico. Eu escuto as pessoas. Exceto as suas opiniões sobre sexo. Porque cada um deve ter sua válvula de escape nesta vida.
   Barbara escreve perfeitamente bem. Escrever é um processo natural para ela. Ela não escapa disso. Até mesmo quando tenta. Com desculpas emprestadas de meninas da Repartição. Logo, Barbara balança a cabeça e lembra que escreve. Perfeitamente bem.
   Eu não falo Inglês tão bem quanto Barbara. Mas em Londres eu consigo conversar com as pessoas. Eu sempre consigo conversar com as pessoas. Mas converso muito mais com Barbara. Falo muito mesmo quando a encontro. Ela me entende, mesmo sendo eu não mais tão natural. Eu a entendo, pois já fui natural. Eu a alcanço, quero alcançar, me esforço. Não é todo dia que se encontra alguém natural. É quando não preciso desta tinta loira nos cabelos. Deste cor de rosa na bochechas. Deste salto estileto e desta conversa fiada.
  É quando eu poderia ter ido pelada para o Pub. Pedido minha Guiness 500 ml. E falado qualquer bobagem:
   " ah, aquele salafrário, vai ter o que merece..."

2 comentários:

  1. vc me esqueceram né gente, mas eu não me esqueci de dar uma lida em vcs. abraços! (daqui do sul do mundo)

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  2. Aquele saláfrio vai sim ter o que merece. Todos eles tiveram. Por que este não?

    Não tenho palavras para agradecer... mas terei, em muito breve, com toda a certeza.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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