terça-feira, 22 de maio de 2012


A palavra que você não vai dizer.
E que te põe mais uma vez a caminho do bar da esquina.
Dela você não foge. Não vai conseguir engolir.
Fica lá no livro que você está lendo,
nas páginas ímpares e nas pares.
Você ouve na música que toca na estação,
enquanto espera o trem.
Embaixo da data da foto escolhida pra carteira.
No café preto mal adoçado,
na demora desse silêncio.
Ela não te deixa e você não bebe o nó da tua garganta.
Não importa o quanto beba.
A palavra já se fez carne e habita entre nós.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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