sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Perto de mim

Eu não envelheço,
pois meu coração ainda acelera
e se despedaça,
como no começo de tudo,
quando nada iria passar.

Os anos não passam por mim
e não me ensinam a dormir cedo.
Ainda vivo virando noites,
chorando encolhida nos cantos,
enquanto beijo tua foto no jornal.

Escrevo teu nome nos muros,
grito e rasgo as roupas no corpo,
correndo pelas ruas que ficam pra trás.

Pois os dias não foram suficientes
para eu desistir de buscar
e o tempo não soube me tirar a coragem
diante da dor.

Eu não envelheço,
a cada ano que passa,
e nada me faz perder a fé no amor.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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