quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


Eu sou forte pra caramba.
Além de levantar peso todo dia,
levo soco na barriga como ninguém.
Já caí do trigésimo andar e restam só feridas.
Levei um balde de água fria, sem gripar.
Sobrevivi a uma pandemia,
a um acidente automobilístico,
ao tumor e à cólera.
Já cortei os pulsos e tomei veneno.
Perdi-me na escalada de uma montanha,
passei fome no estrangeiro,
vi-me sozinha no meio da noite na cidade vazia,
perdi o grande amor.
Levei muita pedrada, mesmo.
Mas não sei dizer quem foi o sem pecado
que atirou a primeira.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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