quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quando Alice me mandou pastar, eu quis morrer. Tomei tanto veneno que parei no hospital, para tomar soro. Deitado na maca, o teto prestes a cair com todas as minhas culpas sobre mim, ouvi a mulher que chorava na sala de espera, ao lado. Ela contava que trocariam a sonda da uretra de seu marido. Que a dor era insuportável. Que nunca vira seu marido chorar antes. E chorava mais.
Desisti de morrer e peguei um trem.
Depois de meses olhando montanhas, mares e trilhos, voltei a cantar. Paro na praca central das cidades e a caixa do violao é meu chapéu. O povo faz roda ao meu redor. Ninguém entende que eu rodava as horas pra trás, roubava um pouquinho e ajeitava o meu caminho pra encostar no teu*. Mas todos se emocionam com a valsa brasileira.
E eu entendo que, gracas à Alice, voltei a ser quem eu sou.
Por isso, antes de mais nada, muito obrigada.

* Valsa Brasileira - Chico Buarque

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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