segunda-feira, 30 de abril de 2012

Premonição - 1998



Olha o céu, moço!
Com aquelas cores que não são nossas,
que não sabemos fazer.
Turquesa? Laranja? Rosa?
Não sei igual.
Arrebataram-me.
Estou em tempo de julgamento, sem a dor no peito.
A premonição do Paraíso e as cores indo lentamente para este lugar.
Lá onde você já mora.
Onde te vi passear, à hora perigosa.

São seis em ponto, Deus, e não estou nostálgica.

Só lembro do moço passeando sobre águas coloridas,
como este céu de hoje.
Será que ele ainda mora lá?
Que não demore é o meu desejo.

Espero a hora da fusão das cores.
E de sua queda.
Sei que será o tempo de estar junto, então.
Depois de todos esses longos dias cinzentos,
sem o som das quedas d´água.
Sem as notas harmoniosas de sua voz
criando canções de silêncios intermináveis,
mas que nunca me angustiaram.
Como este começo de noite,
que de tão perfeita harmonia de cores
fala de você,
sem cantar.




2 comentários:

  1. olá!! mande notícias, sinto saudades das conversas por comentários... eliseu

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    1. Também sinto saudades. A correria da vida nos afasta do melhor. Vamos correr atrás dele. Liebe Grüsse.

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Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões*

Eu coleciono estilingues. Como veteranos de guerra que colecionam armas, enfeito com eles o meu porão. Não os penduro conforme o tamanho ou data de fabricação. Apenas coloco à direita os que já usei e à esquerda os que nunca acertarão nada.
Explica-se por aí que estilingue é arma de baixo poder. Saber disso me faz bem. Ameniza a culpa que me corrói nas tardes que perco ensaiando uma pedrada aqui, outra lá.

Quando ando por aí, olhando pra baixo, já sei bem que pedra combina com que borracha. E pra quem.

Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês*

*Joao e Maria - Chico Buarque

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